quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Paciência

Olha, eu não sei se com vocês é assim, mas eu tenho um sério problema para manter a paciência. Espero por uma ligação, resposta ou qualquer tipo de contato com um frio na barriga absurdo! Sinto que estou descendo naqueles elevadores altos dos parques de diversão e que a queda não acaba nunca!
O pior é que eu acho que a pessoa do outro lado pode, de alguma forma, me assistir sofrendo, esperando, à beira de uma síncope. Justamente por isso, o retorno demora ainda mais do que aquilo que considero como o limite da maldade.
Gente, será que é tão fácil assim ficar calmo e sumir por um dia inteiro? Eu não consigo! E, de tanto esperar em vão, começo a pirar. Ouço o som do celular tocando. Vou conferir e...nada. Ponho o maldito para vibrar. De repente, sinto a mesa tremer. Ai, Deus! Será!?
Não...puro devaneio.
Depois de um longo período de alucinações, eis que o telefone toca. Olho. Olho mais uma vez. Olho cinco vezes. Preciso ter a certeza de que não estou vendo uma miragem no meio do deserto.
Finalmente, é pra valer. O celular está tocando de verdade! É claro que eu espero só um pouquinho para atender, a fim de que ninguém me ache uma desesperada. Pronto. Três toques são o bastante.

- Alô!?

- Alô, Lara?

- Oi, Pedro! Tudo bem?

- Mais ou menos...

- O que houve?

- Sabe o que é, Larinha... Hoje não vai dar. Vou ter que desmarcar nosso cineminha.

- Ah, é? Ok, sem problemas. (Não acredito!!! Por quêêêê!?)

- Desculpa, viu? Mas é que a minha mãe chegou da...da... Arábia Saudita agora e meu pai gostaria de recebê-la com um jantar em família.

- A sua mãe não estava ontem na sua casa? Eu liguei para você e ela atendeu!

- É!? Pois é...foi uma viagem relâmpago, a trabalho.

- Hum...sei.

- Então tá, Larinha. Espero que eu não tenha ligado muito tarde. Acho que não, né? Ainda são onze horas, dá para se arrumar rapidinho e sair pra alguma night, né?

- Claro, querido. Dá, inclusive, para ir à Arábia Saudita. Tchau.

Tu...tu...tu...tu...