“Relaxa! No Carnaval, pode tudo!”
Provavelmente, essa foi a frase mais ouvida
pelas ladeiras de Olinda, pelos blocos do Rio de Janeiro ou nos camarotes de
Salvador. Funciona praticamente como uma carta de alforria, um atestado de
liberdade. A partir do momento em que se ouve ou se pronuncia esta célebre
frase, todos estão autorizados a fazerem tudo aquilo que sempre quiseram, mas
que as amarras sociais jamais permitiriam em nenhuma outra época do ano.
A libertinagem está garantida, justificada
e, melhor ainda, perdoada.
E, assim, saímos ávidos pelas ruas e
festas, bebemos como se o estoque etílico mundial estivesse à beira do
esgotamento, falamos alegre e descontraidamente com desconhecidos, nos
encantamos com a criatividade humana ao nos depararmos com as mais esdrúxulas
fantasias.
Enfrentamos multidões para seguir o bloco
amado, ficamos ensopados de suor, cerveja e sabe-se lá o que mais. No meio da
atmosfera perfumada de urina, transpiração e sovaqueira, levamos uns bons
pisões no pé. Normal, poxa. É Carnaval!
Distribuímos beijos, abraços e amassos. Ao
final, não sabemos se a purpurina que ficou no rosto é mesmo nossa, dele ou
dela. Mas quem se importa? É Carnaval! Vale tudo! Vale, inclusive, dar aquela
fugidinha gostosa com o carinha que você acabou de conhecer. “O quêêê? Dar no
primeiro ‘encontro’?”. Sim, meu bem. É Carnaval!
Engraçado como ficamos mais simpáticos e
sorridentes, né? Curioso ver como o nosso nível de tolerância com o outro
aumenta consideravelmente nesta época do ano.
A gente simplesmente se permite. E isso é
lindo de se ver. E de viver.
Mas... por que APENAS no Carnaval? Por que, quando
finda a festa da alegria, voltamos “ao normal”? Voltamos a nos podar, a nos
importar demasiadamente com a opinião alheia, a ser extremamentre críticos
conosco e com os outros.
De repente, nos vestimos de cinza, assim
como a quarta-feira. A impaciência com os outros reina. A hiprocrisia também. A
menina que beijou mais de um, aquela outra que “dá no primeiro encontro”...onde
elas pensam que estão? No Carnaval?
Que coisa mais chata que a gente é, sabia?
Não precisa ser Carnaval para sermos e
fazermos o que bem entendermos. A vida deveria ser linda, alegre e justa o ano
todo!
Vamos dar um jeito nisso? Que tal
pintarmos nossos próximos meses com cores vibrantes e purpurina? Que tal
pregarmos a gentileza permanentemente e distribuirmos nossos sorrisos por aí?
Fica aqui o convite. Eu prometo que vou
tentar e me esforçar!
E, com licença, que eu vou fazer uma
correção à frase mágica que inicia este texto:
“Relaxa! Na VIDA, pode tudo!”