Passada a tempestade, pude enfim enxergar um pingo de razão em meio aos
meus pensamentos descompensados. Agora que meus pés já tocam o chão, as águas
do mar estão tão nítidas quanto minha descoberta.
Finalmente, entendi que tem gente que entra na nossa vida para ir
embora. Este é o papel dessas pessoas: bagunçar a casa, derrubar quaisquer
paradigmas, desenterrar sentimentos até então desconhecidos. Depois, provam ao
máximo a nossa capacidade de resiliência e amor-próprio até que, um dia,
desaparecem, levando consigo um punhado de lágrimas e segredos nossos.
Eu poderia me desesperar com essa constatação. Coisa mais sem graça,
mais cruel! Mas algo em mim dizia que gente assim é necessária. É assim que se
cresce, que se aprende.
É assim que, no desespero do escuro, descobrimos que a luz sempre esteve
conosco. Era só abrirmos os olhos e ouvirmos aquela vozinha que vem da alma,
nos momentos mais sombrios, dizendo:
- Ainda há força em ti.