Estava eu, entre amigos, quando ouvi: "Larinha não
pensa como a gente. Larinha é coxinha."
Eu não sei bem o que querem dizer com isso, mas me parece
um tanto quanto paradoxal rotular alguém que tem uma opinião diferente,
enquanto se vai às ruas pedir democracia, liberdade, respeito, igualdade.
Vejo que criaram apenas duas possibilidades, dois sacos
para jogarem todos os tipos de farinha: ou esquerda, ou direita; ou vermelho,
ou azul; ou "PTralha", ou coxinha; ou comunista, ou fascista; ou
vagabundo, ou golpista... e eu poderia preencher um caderno todinho com o tanto
de rótulos esdrúxulos que ouvi por aí.
E se eu, assim como tantos outros que conheço, não quiser
entrar na turma de lá, e nem na turma de cá?
E se eu não concordar que o impeachment seja uma boa
saída, por mais que considere o atual governo o cúmulo da incompetência?
E se eu não me sentir representada por quem está no
poder, mas muito menos representada por quem está tentando roubá-lo?
Não vou sair de vermelho gritando "Não vai ter
golpe" e colocando no perfil uma foto estilo retrô da Dilma na puberdade com
oclinhos grandes. (Aliás, o tanto de camisa que tenho visto com essa estampa...
só perde para as do Che.)
Não vou sair com a camisa da seleção brasileira,
amassando meu jogo de panelas, ao lado dos tiozinhos que seguram cartazes
saudosos da ditadura.
Não me sinto representada por ninguém, sinto que estamos
trocando o sujo pelo mal lavado e que não há, hoje, uma opção idônea e
eficiente para governar o Brasil.
Sendo assim, me poupem dos rótulos e parem de tentar
encaixar as pessoas nos extremos. Tem muita gente fora dessa dicotomia do
radicalismo. Ainda bem!
No mais, que façamos a NOSSA parte para um país melhor,
primando pela honestidade em nossa conduta e abandonando aquilo que chamamos de
"pequenos delitos do dia-a-dia".
Um país é feito de gente. Tornemo-nos, então, gente de
bem. Já é um grande passo...
Em tempo: AMO coxinhas.
Não fosse a intolerância a glúten, eu comia uma por dia.
Não fosse a intolerância a lactose, eu ainda
colocava catupiry.