A gente jura que vai dar um tempo, que não vai se envolver, que vai curtir a "solteirice" numa boa e deixar o coração respirar. Saímos de casa despretensiosos, com o único objetivo de nos divertir até que o mundo se acabe. Traçamos mil planos, compramos o pacote completo do Carnaval de Salvador ou pagamos antecipadamente o aluguel daquela casa bacana de Olinda. A vida está ótima e, embora solteiros, não estamos sozinhos: nunca antes tivemos tanto tempo disponível para a família e os amigos e, claro, para choppinhos, cineminhas e outros convites aleatórios que surgem pelo caminho.
Eis que, na agenda sortida de contatos e programinhas variados, detecta-se uma tendência suspeita: um certo sorriso tem aparecido com frequência, influenciando nossas escolhas para o happy hour de quinta, para o sábado à noite e até mesmo para o fim de domingo, quando queremos apenas uma companhia agradabilíssima, que nos salve do Faustão e dê um tom mais leve à semana inteira que está por vir.
De repente, em algum ponto escondido entre o segundo e o quinto encontro, notamos que algo mudou. Não sabemos ao certo como isso aconteceu, mas temos certeza de que as coisas estão diferentes.
Ali...naquele pedaço de tempo compreendido entre o primeiro toque das mãos e o inaugural enlace dos corpos. Foi ali que tudo virou de ponta-cabeça.
Há quem relute e tente nadar contra a corrente. Esforços em vão, meu caro. Nos livros de Biologia, na escola, aprendemos que o coração bate involuntariamente. Esqueceram de informar que ele também se apaixona de maneira autônoma, nos pegando de surpresa, ainda que não estejamos plenamente aptos a administrar um sentimento novo dentro de nós.
O amor tem especial afinidade com os despreparados. Nunca ouvi falar de ninguém que estivesse perfeitamente pronto para recebê-lo. O amor não requer bacharéis, mestres ou doutores; ele busca, justamente, a inexperiência dos aprendizes. São esses os corações abertos aos erros e acertos, aos meandros e declives que compõem a difícil (porém incrível) jornada da vida compartilhada.
Portanto, permita-se. Não hesite em falar o que sente. Não há nada mais nocivo à alma do que um ninho de sentimentos reprimidos; não há nada mais agradável aos ouvidos do que o tom afinado das palavras de amor.
Não fuja. O teu refúgio está ali, dentro do abraço quente com toque de barba macia e notas suaves do perfume tão familiar. Ali mesmo, onde os corpos se tornam um só e a paz preenche os vazios, onde a tensão se esvai e temos a sensação reconfortante de que estamos exatamente onde deveríamos estar.
Por fim, entregue-se: experimente se despir do medo, deixando a alma nua, escancaradamente aberta ao fluxo de energia, luz e plenitude que exalam os corações apaixonados.
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O amor é troca: é o melhor de mim com o melhor de ti, é "você cozinha; eu lavo a louça", "escolhe o filme, que eu trago o vinho", é um olhar por um sorriso, um beijo por um afago.
É o meu mundo inteiro por mais 5 minutos ao seu lado.
"Com amor, tudo fica lindo."