Nunca pensei que estaria com o corpo em Recife e a cabeça no Rio. Até pouco tempo atrás, acontecia exatamente o contrário. Não sei em que momento as coisas mudaram dentro de mim.
Aliás, justamente por não compreender muito bem como ocorreu o processo migratório dos meus pensamentos no eixo Pernambuco-Rio de Janeiro, justamente por não saber explicar com exatidão o que eu sentia (e queria), é que eu desejei ansiosamente este feriadão de 7 de Setembro.
Eu precisava entender como se comportaria o meu coração longe de você e perto de lugares e pessoas que compunham um passado recente e conturbado.
Para minha surpresa, não precisei reservar um minuto sequer para reflexões sobre nós dois. Você aparecia naturalmente nos momentos mais felizes. Eu podia te imaginar de forma tão nítida, que minhas retinas conseguiam te projetar perfeitamente nos cenários mágicos que faziam parte dos meus dias. Foi assim que estivemos juntos nas águas do mar e do rio, nas noites estreladas, no pôr do sol de arrancar sorrisos contemplativos.
Eu falava de você com aquele encanto típico do começo, de quando ainda somos novidade um para o outro e, por isso mesmo, compartilhamos daquele friozinho gostoso na barriga que se sente a cada descoberta. Se dependesse de mim, meu bem, esse brilho não ficaria restrito ao início, mas perduraria por nossos caminhos enquanto nossas estradas seguissem juntas.
Os dias aqui se passaram sem nenhum resquício das angústias de outrora. Aproveitei o meu Recife com aqueles que amo, matei as saudades, ri até a barriga doer, dancei como se o mundo fosse acabar, mandei a dieta pro espaço e me entreguei aos excessos das delícias gastronômicas locais. Foi tudo lindo!
Todavia, é hora de voltar. E, pela primeira vez em tanto tempo, eu QUERO voltar. Deixei um pedaço importante de mim no Rio de Janeiro, e preciso dele para ser inteira.
Me espera, meu bem, que eu tô chegando pra buscar.