terça-feira, 26 de maio de 2015

O meu primeiro amor

Hoje, recebi uma mensagem do meu primeiro amor. Agorinha mesmo. Veio compartilhar comigo a boa notícia de seu novo empreendimento. Fui tomada por uma felicidade tão legítima, tão sincera! Eu, que falo pelos cotovelos, após desejar todo o sucesso do mundo, desatei a dar meus palpites. Iniciamos então uma rica e longa conversa sobre perseguir nossos objetivos, assumir riscos e morar longe de casa. Há pouco mais de um ano, ele se mudou do Rio para Manaus para realizar o sonho de abrir um hostel. 
E abriu. E suou. Virou noites. Chegou a limites que desconhecia. E, hoje, comemora o prêmio de melhor hostel da cidade.
Comovida pelas boas novas, me pus a pensar no quão incrível é saber por onde anda o seu primeiro amor. Poder ouvir sua própria voz fazer um resumo do caminho que, 12 anos depois, o trouxe até aqui; poder constatar o homem em que aquele menino se transformou... É um baita presente da vida.
Eu tinha apenas 14 anos e ele, 16. Sabíamos nada além do fato de que nos queríamos mutuamente por perto. O resto, fomos descobrindo juntos. Saboreamos um sentimento em sua forma mais pura, mas também experimentamos o gosto amargo das primeiras decepções de um coração partido. Não era por mal, apenas não entendíamos como se lidava com tanta coisa que se sentia. 
Nossa ingenuidade nos permitiu viver o amor em sua forma bruta, longe das lapidações forçadas que a sociedade impõe a esse tipo de sentimento. E, justamente por isso, foi tudo tão intenso, idas e vindas, dramatizações exageradas e declarações acaloradas, dignas da novela mexicana que é um primeiro amor, quando se imagina que só há uma tampa para cada panela, um anel para cada dedo, uma alma para cada alma.
Que coisa mais linda fazer as primeiras descobertas em torno do outro: como pensa, como sente, como reage, na confusão hormonal da idade, aos diversos estímulos que, por mais consultas que fizéssemos às revistas adolescentes, só seriam testados e comprovados in loco, na prática.
Embora o status oficial de "namoro" tenha durado pouco mais de um ano, quis a vida que nos esbarrássemos diversas vezes. Em algumas delas, sob a vigilância de companheiros ciumentos, fingimos não nos conhecer. Em outras (a maioria, ainda bem!), o tempo nos permitiu um chopp, boas risadas e uma prosa nostálgica.
E hoje, você e eu temos o prazer de dividir nossas conquistas e constatar o quanto contribuimos mutuamente para nossa jornada em busca de nos tornarmos homem e mulher decentes. Sabemos que essa trilha está longe do fim, mas contamos sempre um com o outro, ainda que à distância, no apoio às nossas decisões e na comemoração de nossas conquistas.
Que privilégio, querido, saber que o meu primeiro amor sempre foi, também, o meu primeiro amigo.

Conte SEMPRE comigo!

domingo, 10 de maio de 2015

A falta

Hoje é um daqueles dias em que eu queria você aqui. Na verdade, eu quero sempre. Mas hoje, especialmente hoje, a vontade está bem grande. A saudade, nem se fala.
Estou cercada de muita gente bacana, é verdade. Não posso reclamar. Mas ainda falta alguma coisa. Faltam o sotaque carregado, a barba que me faz cosquinhas, as músicas que eu nem conheço. Falta açaí na segunda-feira, com direito a uma esticadinha na beira do mar, só para prolongar aquele papo, aqueles sorrisos, aquelas tantas histórias para contar. Se toda segunda-feira terminasse com beijos intermináveis, eu juro que rezava para que todos os outros dias da semana passassem bem rapidinho.
Aqui, me rodeiam belas paisagens, de morro, de céu e de mar. Entretanto, se eu pudesse me teletransportar, certamente apareceria na beira de um rio, deitada numa rede, escutando nada mais que o silêncio interrompido pelas batidas do seu coração.
Lidar com a saudade nem é tão difícil assim. Afinal, saudade é a prova de que foi bom. Ruim mesmo é administrar a falta. Não a falta do que aconteceu, porque, sinceramente, tenho notado que nada vai voltar. Mas a falta do que poderíamos ter vivido... E se eu não tivesse partido? E se tivéssemos nos conhecido antes?
Não gosto de divagar sobre perguntas sem respostas. Todavia, ultimamente, essas indagações têm sido constantes.
A grande verdade, meu bem, é que eu acho que esfriamos. Não sou ingênua; sei que, naturalmente, a distância esfriaria as coisas. Mas nunca imaginei que simplesmente congelaríamos. Assim, do nada. Assim, tão rápido.
Logo nós dois, que éramos tão quentinhos. Tinha tanto acalento, calor e (por quê não?) fogo entre a gente.
Eu sei que tudo passa. Que, com o correr do tempo, a tua imagem perderá brilho e nitidez, até se tornar um leve borrão nas minhas lembranças, de forma que nem a carta que você me deu, em papel branco e escrita a mão, conseguirá arrancar mais nem uma lágrima que seja.
Por ora, tem arrancado rios inteiros. Tem perturbado meu sono e proporcionado uma dor um tanto quanto cortante, daquelas que te fazem explodir caso não sejam postas para fora. Daquelas que precisam ser traduzidas em palavras, ainda que não se consiga expressar nem um décimo do que se sente.

Daquelas dores que me fazem estar aqui, vomitando palavras assim.