segunda-feira, 3 de junho de 2013

A semana inteira


Pronto. Passou de meia-noite. Fim do domingo. Fim do descanso, das risadas, da visita tão esperada, daquela sensação maravilhosa de nada para fazer.

À sua frente, ela via a segunda-feira como um penhasco. Tudo tão profundo, que mal dava para enxergar onde terminava. Respirou fundo, engoliu o medo e, sem escolha, pulou.

Tamanha foi sua surpresa ao perceber que planava. Tudo ainda era escuro, ela não sabia o que havia pela frente, mas nada mais a atormentava. No lugar do medo, apenas uma estranha sensação de que alguém a protegia, de que ela estaria segura sob aquele pára-quedas invisível, que a fazia pairar sobre a névoa dos problemas e das frustrações e - quem diria! - até mesmo enxergar alguns feixes de luz.

Que viessem a segunda, a terça e a quarta-feira, junto com seus tropeços, retrabalhos, recomeços. Que viesse a quinta, com suas horas estranhamente mais longas. Que viesse a sexta-feira, trazendo expectativas e um chopp de fim de tarde.

Não importa o quão pesada e exaustiva fosse, ela decidira que a semana inteira teria gosto de sábado e domingo.

"Porque a vida, meu bem, tem a cara que eu quiser e a cor que eu pintar. E, nesta semana, eu decidi que será coloridamente linda."