segunda-feira, 14 de julho de 2014

Passagem

Por favor, não diga isso. Não é nada do que você está pensando. Eu posso até ter mudado, mas a minha essência permanece inalterada. Eu não sou fria, nem má e, muito menos, indiferente.

Se você me olhar bem nos olhos, vai constatar o que, no fundo, já sabe: eu ainda estou aqui. E quer saber de uma coisa? Eu sempre estarei. Ainda que não sejamos mais um só. Ainda que que as interações se tornem raras. Você sempre terá a mim pelo simples motivo de levar consigo uma parte da minha vida. O pedaço mais lindo e feliz, ouso dizer.

“Mas por que, então, tudo isso está acontecendo?” Eu não sei. Qualquer tentativa de encontrar uma razão tangível seria em vão. Aliás, estou para encontrar algo mais intangível, irracional e intenso do que o amor. E, justamente porque não posso tocá-lo, nem vê-lo, eu não consigo explicar por que ele é assim, tão mutável. Assim, tão lindo. Assim, tão... cortante.

Receio informar que nada podemos fazer para banir a dor. Ela é inevitável. Mas, apesar de lancinante, traz consigo um animador paradoxo: quanto mais a aceitamos, mais rapidamente ela se esvai.

Portanto, por mais improvável que pareça, eu juro que tudo vai passar. Não vai ser fácil. O caminho é tortuoso e tomado por uma neblina densa, que não nos permite ver além. Entretanto, é necessário que realizemos a travessia, sempre em frente, até que nossas vistas, hoje embaçadas, possam finalmente enxergar com clareza o que há do outro lado.

E vai ser bom, eu te prometo. O amanhã nos reserva a paz e a felicidade que merecemos. Só precisamos respirar fundo, engolir o medo e atravessar este trecho pantanoso.

Vamos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário