Por favor,
não diga isso. Não é nada do que você está pensando. Eu posso até ter mudado,
mas a minha essência permanece inalterada. Eu não sou fria, nem má e, muito
menos, indiferente.
Se você me
olhar bem nos olhos, vai constatar o que, no fundo, já sabe: eu ainda estou
aqui. E quer saber de uma coisa? Eu sempre estarei. Ainda que não sejamos mais
um só. Ainda que que as interações se tornem raras. Você sempre terá a mim pelo
simples motivo de levar consigo uma parte da minha vida. O pedaço mais lindo e
feliz, ouso dizer.
“Mas por
que, então, tudo isso está acontecendo?” Eu não sei. Qualquer tentativa de encontrar
uma razão tangível seria em vão. Aliás, estou para encontrar algo mais intangível,
irracional e intenso do que o amor. E, justamente porque não posso tocá-lo, nem
vê-lo, eu não consigo explicar por que ele é assim, tão mutável. Assim, tão
lindo. Assim, tão... cortante.
Receio
informar que nada podemos fazer para banir a dor. Ela é inevitável. Mas, apesar
de lancinante, traz consigo um animador paradoxo: quanto mais a aceitamos, mais
rapidamente ela se esvai.
Portanto, por
mais improvável que pareça, eu juro que tudo vai passar. Não vai ser fácil. O
caminho é tortuoso e tomado por uma neblina densa, que não nos permite ver
além. Entretanto, é necessário que realizemos a travessia, sempre em frente,
até que nossas vistas, hoje embaçadas, possam finalmente enxergar com clareza o
que há do outro lado.
E vai ser
bom, eu te prometo. O amanhã nos reserva a paz e a felicidade que merecemos. Só
precisamos respirar fundo, engolir o medo e atravessar este trecho pantanoso.
Vamos?
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