Hoje é um daqueles dias em que eu queria você aqui. Na verdade, eu quero sempre. Mas hoje, especialmente hoje, a vontade está bem grande. A saudade, nem se fala.
Estou cercada de muita gente bacana, é verdade. Não posso reclamar. Mas ainda falta alguma coisa. Faltam o sotaque carregado, a barba que me faz cosquinhas, as músicas que eu nem conheço. Falta açaí na segunda-feira, com direito a uma esticadinha na beira do mar, só para prolongar aquele papo, aqueles sorrisos, aquelas tantas histórias para contar. Se toda segunda-feira terminasse com beijos intermináveis, eu juro que rezava para que todos os outros dias da semana passassem bem rapidinho.
Aqui, me rodeiam belas paisagens, de morro, de céu e de mar. Entretanto, se eu pudesse me teletransportar, certamente apareceria na beira de um rio, deitada numa rede, escutando nada mais que o silêncio interrompido pelas batidas do seu coração.
Lidar com a saudade nem é tão difícil assim. Afinal, saudade é a prova de que foi bom. Ruim mesmo é administrar a falta. Não a falta do que aconteceu, porque, sinceramente, tenho notado que nada vai voltar. Mas a falta do que poderíamos ter vivido... E se eu não tivesse partido? E se tivéssemos nos conhecido antes?
Não gosto de divagar sobre perguntas sem respostas. Todavia, ultimamente, essas indagações têm sido constantes.
A grande verdade, meu bem, é que eu acho que esfriamos. Não sou ingênua; sei que, naturalmente, a distância esfriaria as coisas. Mas nunca imaginei que simplesmente congelaríamos. Assim, do nada. Assim, tão rápido.
Logo nós dois, que éramos tão quentinhos. Tinha tanto acalento, calor e (por quê não?) fogo entre a gente.
Eu sei que tudo passa. Que, com o correr do tempo, a tua imagem perderá brilho e nitidez, até se tornar um leve borrão nas minhas lembranças, de forma que nem a carta que você me deu, em papel branco e escrita a mão, conseguirá arrancar mais nem uma lágrima que seja.
Por ora, tem arrancado rios inteiros. Tem perturbado meu sono e proporcionado uma dor um tanto quanto cortante, daquelas que te fazem explodir caso não sejam postas para fora. Daquelas que precisam ser traduzidas em palavras, ainda que não se consiga expressar nem um décimo do que se sente.
Daquelas dores que me fazem estar aqui, vomitando palavras assim.
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