segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Coluna da Esquerda

   Uma vez, no trabalho, recomendaram que eu fizesse o "Exercício da Coluna da Esquerda" como forma de administrar minhas opiniões e lidar com frustrações. Aparentemente, tratava-se de algo muito simples: "Reserve alguns minutos do seu dia para pensar nas situações pelas quais você passou hoje. Em uma folha de papel, desenhe duas colunas. Na coluna da direita, escreva tudo aquilo que você falou em suas inúmeras interações. Já na coluna da esquerda, escreva o que de fato gostaria de ter dito, mas que a polidez exigida pelo ambiente a impediu de falar. Pronto. Ao menos, você foi sincera consigo mesma e ainda conseguiu 'desabafar'."
    Já com papel e caneta em mãos, fiz uma retrospectiva daquele dia. Para minha surpresa, as palavras jorraram em fluxos quase que psicográficos. Foi aí que percebi que minhas anotações foram muito além de "eu disse 'sim, senhor', mas queria ter dito 'ai, que saco!'". Naquela folha de papel, estava um retrato da minha vida: "não preciso de ajuda, estou ótima", no lugar de "estou com medo e preciso muito de você"; um sorriso falso, no lugar de uma lágrima; um silêncio no lugar de um "eu te amo".
     Fiquei impressionada ao ver o quanto eu não era sincera comigo mesma e muito menos com aqueles que amo. Por isso, decidi retomar meu refúgio virtual, o qual eu havia abandonado há anos, e fazer daqui a minha Coluna da Esquerda.
      Sem a pretensão de me tornar um livro aberto ou o compromisso de mudar minhas relações interpessoais, vou exercitando a técnica que me ensinaram no trabalho e que eu, inconscientemente, ressignifiquei para a vida.


   

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