O que eu
mais curti em você?
Pergunta fácil.
O que eu mais gostei foi justamente o que eu mais odiei. Esse teu jeitinho de achar que
sabe de tudo. Esse teu ar de menino alternativo que, na tentativa de ser
simples, acaba por ser simplista. Esse teu jeito radical de argumentar e
rejeitar aquilo que é antiquado e engessado demais para merecer o teu respeito e fazer parte do
teu mundo. Você, exalando “alternatividade”, prega a ausência de
pré-julgamentos quando, na verdade, está tão impregnado deles que deixa de
perceber que a beleza da vida está em fugir das generalizações pré-concebidas e
reparar na riqueza de detalhes que existe em tudo.
E por que eu
gostei? Porque muito me interessa essa gente que me intriga. Porque, no ápice
dos teus argumentos, eu fico na dúvida entre te dar um fora ou te dar um beijo.
Fico querendo pular no teu pescoço; só não sei se de raiva ou de vontade.
No auge
dessa dicotomia, vem esse cheiro de você, seguido da barba densa, fazendo uma
cosquinha gostosa por onde passa. Um som bacana, geralmente de alguma banda até
então desconhecida por mim, faz a trilha ideal para um momento que é só nosso. Eu
nem preciso dizer do que gosto; você simplesmente já sabe. E faz. E me arranca
arrepios, suspiros e sorrisos satisfeitos. Parece até que você já nasceu
sabendo, que veio de fábrica com a função exclusiva de desvendar meus segredos.
Você é olfato,
é audição, é tato e muito paladar. Você é sinestesia pura, meu bem. É tudo
junto e misturado, numa experiência inenarrável.
Só sei que me
envolve, me instiga e me faz lembrar o porquê de estar ali, mergulhada no
paradoxo que é você: com pitadas de arrogância e humildade; tão diferente e tão parecido comigo; tão menino e tão homem ao mesmo tempo.
Só sei que não
compreendo nem metade do que gostaria. “Só sei que nada sei”.
Sei só que
quero mais.
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