Dia desses, um conhecido comentou comigo que passaria o feriado em Juiz de Fora, num reencontro dos amigos que fez durante seu intercâmbio. Tinha gente de Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outros lugares, e todos se juntaram na terra dos colegas mineiros.
Pensei com meus botões: "Caramba. Que bacana esse laço ter durado até hoje, mesmo com a distância que os separa!"
Coincidentemente, eu também passei o feriado num reencontro de amigos, no Ceará. Amigos dos meus pais, que se conheceram na faculdade. Há TRINTA ANOS.
O fator 'distância' não foi impedimento: entre os colegas vindos da Paraíba, Pernambuco, Bahia, Maranhão e do próprio Ceará, estavam presentes, ainda, outros que moram um pouquinho mais longe, como os que vieram do Rio de Janeiro (meus pais), de Goiás, do Distrito Federal e - pasmem - da Argentina. Sim, teve até presença internacional.
O fator "tempo" tampouco foi obstáculo: os 30 anos corridos acumularam ainda mais histórias para contar, além de solidificarem os laços.
Observei, com profunda admiração, aqueles homens e mulheres contarem pela milésima vez as mesmas piadas e relembrarem situações tristes e alegres, cômicas e emocionantes. No fervor do reencontro, todos voltaram a ser "moleques", com direito a bombas pelos ambientes do hotel e baldes de gelo para acordar aqueles que, depois de tomarem umas a mais, saíram de fininho para um cochilo. Afinal, temos a vida inteira para dormir, não é mesmo?
Depois desses dias de confraternização e nostalgia, assisti às despedidas chorosas e fraternas e presenciei a escolha do local do próximo encontro.
Saí de lá reflexiva. Estou de mudança para o Rio de Janeiro, depois de 3 anos felizes em Recife. Nos últimos dias, um medo crescente tomou conta de mim: e se, com a distância e o passar do tempo, o contato com meus amigos se tornar cada vez mais raro? E se, com o pouco contato, eu deixar de ser importante para aqueles que conquistei? E se eles deixarem de ser importantes para mim?
Apenas agora percebo a imaturidade dos meus receios. Como ouso atribuir a fatores externos a durabilidade das minhas amizades? O que eu construí é de responsabilidade minha! Cabe a mim cultivar, manter e cuidar. Obviamente, trata-se de uma via de mão dupla: meus amigos também devem zelar pela relação que desenvolvemos. E eu sei que vão.
Afinal, amizade nada mais é do que uma manifestação de AMOR. E amor é doação e zelo. Estou para conhecer alguém que não queira que seus amores sejam eternos.
No mais, não temerei. Vendo os exemplos do meu colega e dos meus pais, percebi que amizades não são físicas, não são tangíveis. São espirituais, eu diria. São almas que se uniram por afinidade e criaram entre si um bem-querer sem fim. Ao menos, foi isso que aconteceu comigo e com aqueles que cativei.
E assim seguiremos. E eu cuidarei deles devota e amorosamente, tal qual o dedicado jardineiro cultiva suas mais belas flores.
Sejam eternamente bem-vindos ao meu jardim.
Oi Lara !!!!!
ResponderExcluirQue lindas palavras, quanta sensibilidade a sua.
Essa nossa turma, da qual os teus pais fazem parte, é um verdadeiro tesouro. Não importa o tempo ou a distância, somos a cada dia mais amigos.
Como é bom, ver que os nossos filhos e os filhos dos nossos amigos, admiram os fortes laços que unem essas verdadeiras e sólidas amizade
Bjo grande, você já uma das nossas.
Filha, muito gratificante constatar que você conseguiu sentir e valorizar a verdadeira essência dos nossos encontros: a amizade!!!!❤️❤️
ResponderExcluir