terça-feira, 9 de junho de 2015

Sobre mágoa e perdão

Após a tempestade, tento juntar os pedacinhos de mim. É tarefa difícil, dado o terremoto que acabou por destruir minhas fortalezas e teve seu epicentro em você.
...

Quando se vive uma decepção dessas, é normal escutarmos conselhos e opiniões (revoltadas, certamente) de amigos e qualquer pessoa ao nosso redor. Isso é sinal de que somos amados e que há um monte de gente que se preocupa conosco. Ainda bem!
Entretanto, para que se tranquilizem os meus, gostaria de informá-los que - surpresa! - eu também me amo. E, justamente por nutrir esse amor-próprio, é que tomarei minhas decisões baseadas unicamente nas minhas vontades. Sim, eu vou fazer o que eu quiser, e não o que acham que deve ser feito.

E eu decido perdoar, simplesmente porque considero o perdão uma das atitudes mais nobres e belas da vida. Perdoar é difícil, mas é libertador. É desprender duas almas aflitas pelas mágoas e os erros, e dar a elas o alívio necessário para que se curem em paz. É sentar na tua frente, olhar fundo nos teus olhos sem brilho, e constatar que a dor que você trazia ali era a maior lição que a vida poderia te dar. 

Todavia, perdoar não é esquecer. E, justamente por isso, eu não esqueço do desalinho que era a vida ao teu lado. Enquanto você achava que entre nós havia harmonia de sobra, eu achava que o que sobrava mesmo era a falta: de zelo, de cuidado, de carinho. Faltou, acima de tudo, parceria...

- Mas eu sempre disse que te achava uma parceirona, pra todas as horas!
- Bem, deixa então eu te contar um segredo: parceria só existe quando é mútua, quando há troca. Quando se anda um do lado do outro. Você sempre caminhou a passos largos e, no auge do seu egoísmo, não percebeu que acabou me deixando para trás.
- Eu... eu simplesmente não me dei conta disso.
- Você não enxergou, embora eu tenha sinalizado tantas vezes. Entretanto, era tanta frieza, que se criou uma barreira impenetrável ao seu redor. Um escudo para te proteger de quê? De sentir?
- Mas eu sinto! 
- Mas nunca me mostrou que sentia.

Pois bem. Hoje, SENTIR é tudo que eu desejo a você. Sendo assim, torço para que tenha a humildade necessária. Torço para que encontre em seu caminho gente que derreta o gelo que há em ti. Torço, principalmente, para que você encontre a si mesmo.
Com todo o meu carinho, eu te desejo muito amor. Amor e poesia.

É isso, meu bem. Faltou poesia em você. Detalhes, leveza, subjetividade.
E eu? Eu sou toda poesia, eu sou feita de sentir e de viver!

...

A tempestade cessou, e eu acabo de localizar o meu barco. Entretanto, dessa vez, não vou insistir para que você entre, como fiz todas as vezes. Dessa vez, eu sugiro que faça a travessia a nado. Suando, sofrendo, pensando e...crescendo. Não sou cruel, muito menos vingativa. Se te abandono em alto mar, é porque avisto terra firme logo adiante e tenho certeza da sua capacidade de alcançá-la. Não posso garantir que estarei na praia, à sua espera... Mas esteja certo de que acompanharei, de longe, a sua jornada. Sempre com muita ternura.

E, ao final de tudo isso, terei o maior orgulho de vê-lo mais maduro, mais humano e evoluído, e dizer bem alto contigo: "Missão cumprida!".




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