Não adianta fugir. Em algum momento da vida, geralmente quando
tudo está às mil maravilhas, você vai se deparar com esse peculiar estado de
espírito. Uns chamam de dor de cotovelo; outros de fundo do poço... eu chamo de
fossa. De qualquer forma, pouco importa a nomenclatura; a sensação de estar na
merda será sempre a mesma.
Os motivos também são os mais variados: ela te traiu com o
personal trainer, ele percebeu que não gosta mais de você, a relação esfriou,
você se apaixonou por outra pessoa ou, simplesmente, vocês se gostam muito, mas
os momentos (e locais) de vida são incompatíveis. São milhares de causas
possíveis que, invariavelmente, resultarão em apenas uma: não deu certo. E
pronto.
E fim... Fim? Como assim, gente? Como se lida com a falta de algo
(e de alguém), que antes nos fazia tão bem, nos preenchia por inteiro e, agora,
simplesmente não está mais disponível? Pelo menos, não para nós, não da forma
como queremos...
Estou passando exatamente por isso hoje. Agora. Sim, estou na
fossa. E, sinceramente, tenho aprendido muito com ela.
Aprendi, por exemplo, que o primeiro passo é aceitá-la. Para que
ignorar o meu estado de espírito? Tenho recebido muitos conselhos dos meus
amigos. É comum ouvir das pessoas que você tem mais é que fingir que está tudo
bem, sair linda e loira para a night e bombardear as redes sociais com
registros fotográficos que demonstram a sua pseudo-felicidade, com aquele ar de
"Estou ótima, meu bem. Já te superei." Tempos modernos, né? Todo
mundo é obrigado a ser feliz...
Todavia, o que eu descobri com a minha tristeza é que - pasmem -
ela é necessária. A dor tem me proporcionado valiosos estados de auto-reflexão.
Minha mente e meu espírito agradecem. Certamente, no brilho eufórico da
alegria, eu nunca me daria de presente esses preciosos instantes de
introspecção. Além disso, convenhamos: esconder de si a própria tristeza é não
ser sincero consigo mesmo. É uma forma de auto-sabotagem.
Outro conselho frequente é o famoso "Se afunda no trabalho,
menina! Assim, você se distrai e esquece rapidinho." O problema é que, se
tristeza em excesso é desequilíbrio; trabalho em demasia também. Se a pia está
transbordando, é preciso fechar a torneira e deixar que a água escoe pelo ralo.
Abrir outra torneira em nada vai ajudar. Pelo contrário: o estrago será ainda
maior. Dessa forma, não vou jogar toneladas de trabalho ou de qualquer outra
atividade no meu caminhão lotado de melancolia. Vou é correr atrás de esvaziar
essa caçamba. Esvaziá-la o quanto antes, agora, ontem? Não. A tristeza tem seu
próprio tempo. É importante respeitá-lo.
Admitir
a fossa, todavia, não significa se entregar a ela. Esta foi a minha segunda
grande descoberta dos últimos dias. A tristeza é passagem; não é destino. E,
quanto mais a reconhecemos, mais rapidamente ela se esvai. A única condição
para isso é que não desistamos de nós mesmos.
Dessa
forma, não se obrigue a fazer o que não quiser, mas também não se prive de
fazer o que gosta. Não cancele o chopp de quinta-feira com as amigas, não deixe
de jantar com seus pais e nem pense em faltar à academia. Saia, dance, ria,
beba, durma, reze, corra, beije... continue a viver!
Repare
que, hoje, dói menos que ontem. Daqui a pouquinho, já não vai doer mais.
Perceba que, à sua volta, ainda ficou um monte de amor, daquele de primeira
qualidade. Afinal, amor de família e amigos é para sempre.
Confie
em você e na sua capacidade de se encantar com os outros. Confie, também, no
seu próprio poder de encantamento. Retribua com um sorriso sincero aquele
carinha da época da faculdade que, depois de um esbarrão ocasional na rua, diz
com toda a doçura do mundo que “você está ainda mais linda!”. A vida se
encarrega desses e de outros (re)encontros...
Há
um universo de possibilidades por aí afora. Aquele cara, especificamente, parece
ser a combinação perfeita de personalidade, beijo e encaixe (sim, aquilo mesmo)
e você acha que nunca mais encontrará nada igual? Bem, não vai mesmo! Mas por
que querer algo igualzinho, se podemos fazer tudo diferente? Quem disse que,
nesse mundão, a proporção do amor é 1 pra 1? É infinito pra infinito!
Portanto,
aceitemos a dor, sem que nos entreguemos a ela. Paralelamente, deixemos que os
olhos se abram para as infindas possibilidades de conexão ao redor.
É
isso que eu aprendi. É isso que eu tenho feito.
Êta,
fossa produtiva!
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