segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Doce ressaca

A festa tinha sido maravilhosa. Ela dançou até estragar os sapatos (novos), sentiu-se bonita com os acessórios e a produção que havia escolhido, estava com pessoas queridas e animadas e conheceu outras tantas pessoas super alto astral. No calor do momento, uma cervejinha caiu super bem. Entretanto, com a festa cada vez mais cheia de gente, uma vodka com gelo pareceu mais adequada para refrescar. 

Ela acordou em sua cama (ufa!), com as luzes acesas, a roupa da festa e a maquiagem completamente borrada. O mundo rodava, a cabeça doía como nunca, a boca seca pedia desesperadamente alguns milhares de litros d'água e o estômago, embrulhado, reclamava da falta de comida e do excesso de álcool. Uma palavra para aquela desgraça: ressaca. Das brabas. Daquelas que te fazem jurar não beber nunca mais.

Como parte do procedimento do dia seguinte à enfiada de pé na jaca, ela correu para o celular. Nenhuma chamada realizada de madrugada. Ainda bem! No whatsapp, entretanto, algumas surpresinhas, como um áudio enviado para o carinha que não tinha ido à mesma festa que ela. Embora tenha demorado uns 5 minutos para decifrar seu próprio dialeto trôpego, ela concluiu que não havia falado nada de mais, apenas respondido ao questionamento dele de como estava o evento e devolvido a mesma pergunta ao rapaz. Menos mal. As outras surpresas eram algumas mensagens de um número desconhecido. É. Acontece.

Próximo passo: ligar para a amiga que fora com ela à festa e fazer a boa e velha pergunta de quem bebeu horrores e apresenta lapsos de memória justo dos momentos mais estratégicos da noite: "O que foi que eu fiz, amigaaaaa????" Novamente, nada grave. Apenas relatos de situações engraçadas, muitas risadas, muita dança, muita energia bacana. As duas gargalharam ao telefone e concordaram que aquela havia sido uma noite e tanto!

Aliviada, desligou o celular e dormiu novamente. Acordou apenas às 16h. Ressaca é uma derrota mesmo, te faz passar mal e ainda perder o dia. Arrependida do exagero que cometera, foi tomar um banho, daqueles bem gostosos, para ver se, enfim, ressuscitava. 

E foi aí que ela se lembrou daqueles problemas, aqueles assuntos chatos que, dois dias antes, a fizeram chorar no meio da praça de alimentação do shopping. E se deu conta de que eles nem haviam passado por sua cabeça durante a festa. Ela estava tão alegre, rodeada de amigos e de música boa, que simplesmente esqueceu das dores do coração. OK que herdara, em troca, uma bela de uma dor de cabeça, mas isso não importava mais. 

Com ou sem ressaca, ter se permitido foi essencial para espantar as mágoas e fechar algumas feridas. Essa tal de terapia do riso era boa mesmo. Tudo bem, das próximas vezes ela iria maneirar, ninguém precisa beber todas para se divertir e, se continuasse nesse ritmo, não chegaria viva até o Carnaval. Mas assim, uma vezinha só, se jogar inteira na jaca foi mais do que divertido, foi necessário. Ela saiu do banho renovada, ressaca ralo adentro, e histórias fresquinhas para contar.
Corpo e alma curados, e a certeza de que tinha valido a pena.




Nenhum comentário:

Postar um comentário