terça-feira, 21 de abril de 2015

Amigos de longe

Dia desses, um conhecido comentou comigo que passaria o feriado em Juiz de Fora, num reencontro dos amigos que fez durante seu intercâmbio. Tinha gente de Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outros lugares, e todos se juntaram na terra dos colegas mineiros.
Pensei com meus botões: "Caramba. Que bacana esse laço ter durado até hoje, mesmo com a distância que os separa!"
Coincidentemente, eu também passei o feriado num reencontro de amigos, no Ceará. Amigos dos meus pais, que se conheceram na faculdade. Há TRINTA ANOS.
O fator 'distância' não foi impedimento: entre os colegas vindos da Paraíba, Pernambuco, Bahia, Maranhão e do próprio Ceará, estavam presentes, ainda, outros que moram um pouquinho mais longe, como os que vieram do Rio de Janeiro (meus pais), de Goiás, do Distrito Federal e - pasmem - da Argentina. Sim, teve até presença internacional.
O fator "tempo" tampouco foi obstáculo: os 30 anos corridos acumularam ainda mais histórias para contar, além de solidificarem os laços.
Observei, com profunda admiração, aqueles homens e mulheres contarem pela milésima vez as mesmas  piadas e relembrarem situações tristes e alegres, cômicas e emocionantes. No fervor do reencontro, todos voltaram a ser "moleques", com direito a bombas pelos ambientes do hotel e baldes de gelo para acordar aqueles que, depois de tomarem umas a mais, saíram de fininho para um cochilo. Afinal, temos a vida inteira para dormir, não é mesmo?
Depois desses dias de confraternização e nostalgia, assisti às despedidas chorosas e fraternas e presenciei a escolha do local do próximo encontro.
Saí de lá reflexiva. Estou de mudança para o Rio de Janeiro, depois de 3 anos felizes em Recife. Nos últimos dias, um medo crescente tomou conta de mim: e se, com a distância e o passar do tempo, o contato com meus amigos se tornar cada vez mais raro? E se, com o pouco contato, eu deixar de ser importante para aqueles que conquistei? E se eles deixarem de ser importantes para mim?
Apenas agora percebo a imaturidade dos meus receios. Como ouso atribuir a fatores externos a durabilidade das minhas amizades? O que eu construí é de responsabilidade minha! Cabe a mim cultivar, manter e cuidar. Obviamente, trata-se de uma via de mão dupla: meus amigos também devem zelar pela relação que desenvolvemos. E eu sei que vão.
Afinal, amizade nada mais é do que uma manifestação de AMOR. E amor é doação e zelo. Estou para conhecer alguém que não queira que seus amores sejam eternos.
No mais, não temerei. Vendo os exemplos do meu colega e dos meus pais, percebi que amizades não são físicas, não são tangíveis. São espirituais, eu diria. São almas que se uniram por afinidade e criaram entre si um bem-querer sem fim. Ao menos, foi isso que aconteceu comigo e com aqueles que cativei.
E assim seguiremos. E eu cuidarei deles devota e amorosamente, tal qual o dedicado jardineiro cultiva suas mais belas flores.

Sejam eternamente bem-vindos ao meu jardim.





quarta-feira, 15 de abril de 2015

Surpresas antes de partir

Era para ser um começo de semana normal, daqueles que carregam consigo o peso dos afazeres domésticos e profissionais, misturados às doces lembranças de um domingo agradável.
Era para ser uma típica segunda-feira: temos sono, trabalhamos, voltamos à dieta, retomamos a rotina de exercícios e chegamos em casa sozinhos e cansados, prontos para capotar na cama.
Entretanto, você ligou. Olhei para o celular tocando e não contive o frio na barriga que, subitamente, tomou conta do meu corpo inteiro. Eu lembrava bem da última vez em que havíamos nos falado. Já fazia tempo... Trocamos algumas farpas e, depois, você sumiu, me deixando, como sempre, no limbo das perguntas sem respostas.

- Alô?
- Você está indo embora. Acho que merecemos uma conversa franca, sem whatsapp, sem telefone. A gente precisa é se ver.

Uau. Por essa, eu não esperava. Pense num medo de te encontrar de novo e de reabrir uma ferida que já estava em fase final de cicatrização... Todavia, me restavam apenas 3 dias. Era a última chance de escutar qualquer palavra tua que fizesse um mínimo de sentido.

- OK. Podemos conversar.
- Te encontro daqui a pouco.

Que agonia essa espera! Daqui a pouco é o quê? Daqui a meia hora? Duas horas? Estou bonita? Pareço tranquila e bem resolvida? Pareço confusa? Meu Deus, eu esqueci de pentear o cabelo, será que dá tempo de... campainha toca.

- Oi...
- É a última vez que vejo esta cena?
- Qual cena?
- Você, como sempre, atrasada. Penteando o cabelo. E, se eu bem me recordo, esta é a hora em que você diz: "Me dá um minutinho? Eu vou só secar a franja."
- Bem, já que você está tão familiarizado com os procedimentos, me dá uma licencinha, que eu seco a franja rapidinho.

Cabelo arrumado. Volto à sala. Você, sem rodeios:
- Eu estive pensando na gente. Em como estaríamos hoje, caso tivéssemos nos dado uma chance de dar certo.
- Mas EU dei essa chance. Eu queria que déssemos certo. Mas, por qualquer razão que foge da minha compreensão, você se esquivava justamente quando estava tudo bem.
- Lara, eu sempre tive muito, MUITO medo de me ferrar contigo.
- Oi!?
- Desculpa. Mas eu sempre imaginei que, muito em breve, você iria embora. Você é muito independente e isso me assustou. A qualquer momento, uma oportunidade iria surgir. E eu sempre soube que você aceitaria. E eu ficaria aqui, ferrado.
- Então você se sentia inseguro comigo? E preferiu não se envolver por causa disso?
- Sim.
- Agora, eu estou mesmo indo embora. E você não se deixou envolver. Como se sente? Aliviado? 
- Me sinto na merda.
- Então, não valeu a pena a sua tentativa de se proteger. No final, machucou do mesmo jeito.
- Eu sei. Eu fui um otário. Me desculpe.

Eu não contive as lágrimas. Deixei que jorrassem livremente, como se compensassem, ao menos, um pedacinho da dor que eu sentia naquele momento. Teus olhos estavam assustados, presenciando, pela primeira vez, uma evidência clara da ferida que você mesmo havia aberto em mim.

- Não sei se percebia o quanto eu gostava de você. Era muito. Era o meu carinho em sua forma mais doce. Eu zelei por nós dois. Tentei, de verdade, nos manter vivos. Mas você, simplesmente, parecia não gostar de mim, então eu desisti.
- Eu gosto muito. Mais do que você imagina. Mas tive medo. E não soube como agir quando vi que estava te perdendo. Percebi que você estava distante. Te procurei, ainda. Mas você estava fria...
- Eu conheci alguém. Ele é um cara incrível.

Você ficou pálido. Eu já nem sabia mais decifrar teus olhos.

Não havia resposta que se encaixasse. Preferimos responder com um abraço. Sincero, terno, repleto de comunicação nas entrelinhas.

Se abraços falassem, o nosso diria que, agora, está tudo bem. Que ambos estão perdoados pelo dito e o não dito, pelo feito e o não feito. Que as farpas foram retiradas e o que restava era tudo que foi lindo. E que, enquanto houvesse carinho e querer-bem, a história de nós dois estaria viva, repleta de belas memórias, pairando sobre algum ponto mágico entre Recife e Rio de Janeiro.




quinta-feira, 19 de março de 2015

Dicotomia

O que eu mais curti em você?

Pergunta fácil. O que eu mais gostei foi justamente o que eu mais odiei. Esse teu jeitinho de achar que sabe de tudo. Esse teu ar de menino alternativo que, na tentativa de ser simples, acaba por ser simplista. Esse teu jeito radical de argumentar e rejeitar aquilo que é antiquado e engessado demais  para merecer o teu respeito e fazer parte do teu mundo. Você, exalando “alternatividade”, prega a ausência de pré-julgamentos quando, na verdade, está tão impregnado deles que deixa de perceber que a beleza da vida está em fugir das generalizações pré-concebidas e reparar na riqueza de detalhes que existe em tudo.

E por que eu gostei? Porque muito me interessa essa gente que me intriga. Porque, no ápice dos teus argumentos, eu fico na dúvida entre te dar um fora ou te dar um beijo. Fico querendo pular no teu pescoço; só não sei se de raiva ou de vontade.

No auge dessa dicotomia, vem esse cheiro de você, seguido da barba densa, fazendo uma cosquinha gostosa por onde passa. Um som bacana, geralmente de alguma banda até então desconhecida por mim, faz a trilha ideal para um momento que é só nosso. Eu nem preciso dizer do que gosto; você simplesmente já sabe. E faz. E me arranca arrepios, suspiros e sorrisos satisfeitos. Parece até que você já nasceu sabendo, que veio de fábrica com a função exclusiva de desvendar meus segredos.

Você é olfato, é audição, é tato e muito paladar. Você é sinestesia pura, meu bem. É tudo junto e misturado, numa experiência inenarrável.

Só sei que me envolve, me instiga e me faz lembrar o porquê de estar ali, mergulhada no paradoxo que é você: com pitadas de arrogância e humildade; tão diferente e tão parecido comigo; tão menino e tão homem ao mesmo tempo.

Só sei que não compreendo nem metade do que gostaria. “Só sei que nada sei”.


Sei só que quero mais.

terça-feira, 10 de março de 2015

Até breve

Fui correndo, sem planejar. Cheguei um pouco afoita, olhei a fachada do prédio: na última vez em que estivera ali, deixei um punhado de lágrimas, saudades e palavras de amor. Hoje, 6 anos depois, cá estou eu novamente.
Não gosto de hospitais. Aliás...quem gosta? Tudo é frio: a temperatura, as cores, os corredores longos e vazios, o semblante de quem está só de passagem, o olhar de quem já perdeu as contas do tempo passado ali.
Lá vou eu bater na tua porta, as mãos exalando álcool em gel, o coração receoso... Quase não te reconheci. Não sei se pela palidez da tua face, não sei se pelos olhos fechados e abatidos de um sono induzido. Ou, talvez, seja porque eu nunca tenha te conhecido de verdade. Você nunca me deu uma chance...
Agora, te olhando assim, tão frágil, despida da inconstância e das explosões que lhe são tão típicas, eu reflito sobre o que traz alguém até aqui, até este ponto em que já se brincou tanto com a vida, que ela mesma se cansa e mostra seus claros sinais de esgotamento.
Meus devaneios são interrompidos pelo teu abrir de olhos. "Oi, sou eu, a Lara. Estou aqui do seu lado. Você está se sentindo bem?" Tua resposta é um choro repentino, tão arrependido que chega a doer em mim. "Calma, não se preocupe, eu estou com você."
Você se limita a dizer: "Quanto sacrifício de todos...por causa de mim." E volta a cair no sono trôpego, ainda engolindo alguns soluços.
Eu não disse mais nada. Mas pensei. Pensei que eu faria, quantas vezes fossem necessárias, aquele mesmo sacrifício. Apesar das tuas escolhas tortas, tinha muito de você em mim. Tinha laço genético e (por que não?) afetivo. E, por acreditar que o amor é doação, e não mutualidade, eu podia transmiti-lo a você, ainda que não o tivesse recebido....

Não deu tempo. A vida se esvaiu como um apagar de luzes. Novamente, vim correndo, sem planejar. Novamente, cheguei afoita e angustiada. Me aproximei, toquei tuas mãos gélidas e fechei meus olhos, procurando qualquer tipo de comunicação contigo. Falei mentalmente, e tenho certeza de que fui ouvida. Enfim, pude dizer que você tinha o meu perdão e que nenhum tipo de amarra do mundo terreno deveria te atordoar. Desejei, com todo o meu amor, que você encontrasse conforto, paz e esclarecimento. E que, munido destes tesouros, teu espírito pudesse, enfim, ganhar uma nova chance, uma nova vida. E que ela viesse plena de amor e virtudes, de modo que, a cada novo aprendizado, você desse largos passos a caminho da evolução.

Dito isso, senti meu coração acalmar e pude, enfim, me despedir serenamente, ansiosa por nosso próximo encontro.

A morte não é um "adeus". É só um fechar de olhos aqui, para um posterior abrir de portas ali, onde de fato pertencemos e merecemos estar.
A morte é um "até breve".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vale tudo no Carnaval

“Relaxa! No Carnaval, pode tudo!”
Provavelmente, essa foi a frase mais ouvida pelas ladeiras de Olinda, pelos blocos do Rio de Janeiro ou nos camarotes de Salvador. Funciona praticamente como uma carta de alforria, um atestado de liberdade. A partir do momento em que se ouve ou se pronuncia esta célebre frase, todos estão autorizados a fazerem tudo aquilo que sempre quiseram, mas que as amarras sociais jamais permitiriam em nenhuma outra época do ano.
A libertinagem está garantida, justificada e, melhor ainda, perdoada.
E, assim, saímos ávidos pelas ruas e festas, bebemos como se o estoque etílico mundial estivesse à beira do esgotamento, falamos alegre e descontraidamente com desconhecidos, nos encantamos com a criatividade humana ao nos depararmos com as mais esdrúxulas fantasias.
Enfrentamos multidões para seguir o bloco amado, ficamos ensopados de suor, cerveja e sabe-se lá o que mais. No meio da atmosfera perfumada de urina, transpiração e sovaqueira, levamos uns bons pisões no pé. Normal, poxa. É Carnaval!
Distribuímos beijos, abraços e amassos. Ao final, não sabemos se a purpurina que ficou no rosto é mesmo nossa, dele ou dela. Mas quem se importa? É Carnaval! Vale tudo! Vale, inclusive, dar aquela fugidinha gostosa com o carinha que você acabou de conhecer. “O quêêê? Dar no primeiro ‘encontro’?”. Sim, meu bem. É Carnaval!
Engraçado como ficamos mais simpáticos e sorridentes, né? Curioso ver como o nosso nível de tolerância com o outro aumenta consideravelmente nesta época do ano.
A gente simplesmente se permite. E isso é lindo de se ver. E de viver.
Mas... por que APENAS no Carnaval? Por que, quando finda a festa da alegria, voltamos “ao normal”? Voltamos a nos podar, a nos importar demasiadamente com a opinião alheia, a ser extremamentre críticos conosco e com os outros.
De repente, nos vestimos de cinza, assim como a quarta-feira. A impaciência com os outros reina. A hiprocrisia também. A menina que beijou mais de um, aquela outra que “dá no primeiro encontro”...onde elas pensam que estão? No Carnaval?
Que coisa mais chata que a gente é, sabia?
Não precisa ser Carnaval para sermos e fazermos o que bem entendermos. A vida deveria ser linda, alegre e justa o ano todo!
Vamos dar um jeito nisso? Que tal pintarmos nossos próximos meses com cores vibrantes e purpurina? Que tal pregarmos a gentileza permanentemente e distribuirmos nossos sorrisos por aí?
Fica aqui o convite. Eu prometo que vou tentar e me esforçar!

E, com licença, que eu vou fazer uma correção à frase mágica que inicia este texto:  

“Relaxa! Na VIDA, pode tudo!”

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Versinhos para sei-lá-quem

Eu já conheço seu rosto e esse ar de “sou foda” que ele sustenta.
Não se faça de sonso, pois você bem nota que te olho atenta.
A sua roupa engraçada cai bem com a sua cara de intelectual.
Você é diferente e eu tenho essa queda por quem não é igual.
Eu te vi vez ou outra, em meio aos gritos de pré-carnaval.
Mas você se dissipa, some de vista, volta a ser virtual.
Mas meu mundo é tangível, é pele, é toque e respiração.
É falar no ouvido, é segurar forte e perder o chão.
E, assim, voa livre a fertilidade do meu pensamento.
A tua casca, eu conheço.
Mas que raio de homem se esconde lá dentro?
Tal qual todo presente, o pacote é somente um mero floreio.
Todo mundo concorda que a embalagem importa...

...mas o que vale mesmo é sempre o recheio.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Doce ressaca

A festa tinha sido maravilhosa. Ela dançou até estragar os sapatos (novos), sentiu-se bonita com os acessórios e a produção que havia escolhido, estava com pessoas queridas e animadas e conheceu outras tantas pessoas super alto astral. No calor do momento, uma cervejinha caiu super bem. Entretanto, com a festa cada vez mais cheia de gente, uma vodka com gelo pareceu mais adequada para refrescar. 

Ela acordou em sua cama (ufa!), com as luzes acesas, a roupa da festa e a maquiagem completamente borrada. O mundo rodava, a cabeça doía como nunca, a boca seca pedia desesperadamente alguns milhares de litros d'água e o estômago, embrulhado, reclamava da falta de comida e do excesso de álcool. Uma palavra para aquela desgraça: ressaca. Das brabas. Daquelas que te fazem jurar não beber nunca mais.

Como parte do procedimento do dia seguinte à enfiada de pé na jaca, ela correu para o celular. Nenhuma chamada realizada de madrugada. Ainda bem! No whatsapp, entretanto, algumas surpresinhas, como um áudio enviado para o carinha que não tinha ido à mesma festa que ela. Embora tenha demorado uns 5 minutos para decifrar seu próprio dialeto trôpego, ela concluiu que não havia falado nada de mais, apenas respondido ao questionamento dele de como estava o evento e devolvido a mesma pergunta ao rapaz. Menos mal. As outras surpresas eram algumas mensagens de um número desconhecido. É. Acontece.

Próximo passo: ligar para a amiga que fora com ela à festa e fazer a boa e velha pergunta de quem bebeu horrores e apresenta lapsos de memória justo dos momentos mais estratégicos da noite: "O que foi que eu fiz, amigaaaaa????" Novamente, nada grave. Apenas relatos de situações engraçadas, muitas risadas, muita dança, muita energia bacana. As duas gargalharam ao telefone e concordaram que aquela havia sido uma noite e tanto!

Aliviada, desligou o celular e dormiu novamente. Acordou apenas às 16h. Ressaca é uma derrota mesmo, te faz passar mal e ainda perder o dia. Arrependida do exagero que cometera, foi tomar um banho, daqueles bem gostosos, para ver se, enfim, ressuscitava. 

E foi aí que ela se lembrou daqueles problemas, aqueles assuntos chatos que, dois dias antes, a fizeram chorar no meio da praça de alimentação do shopping. E se deu conta de que eles nem haviam passado por sua cabeça durante a festa. Ela estava tão alegre, rodeada de amigos e de música boa, que simplesmente esqueceu das dores do coração. OK que herdara, em troca, uma bela de uma dor de cabeça, mas isso não importava mais. 

Com ou sem ressaca, ter se permitido foi essencial para espantar as mágoas e fechar algumas feridas. Essa tal de terapia do riso era boa mesmo. Tudo bem, das próximas vezes ela iria maneirar, ninguém precisa beber todas para se divertir e, se continuasse nesse ritmo, não chegaria viva até o Carnaval. Mas assim, uma vezinha só, se jogar inteira na jaca foi mais do que divertido, foi necessário. Ela saiu do banho renovada, ressaca ralo adentro, e histórias fresquinhas para contar.
Corpo e alma curados, e a certeza de que tinha valido a pena.